Pivô de cassação, Brasa diz nunca ter sido conivente com caixa 2 e pontua prejuízos


Vinícius Bruno /RD News

O empresário Júnior Brasa, proprietário da Genius at Work, avalia que a cassação da senadora Selma Arruda (Pode), não lhe trouxe nenhum benefício. Isso porque até hoje amarga o não recebimento dos valores devidos pela juíza aposentada. De outubro de 2018 até agora, o empresário se viu em meio a uma verdadeira briga judicial para receber R$ 1,1 milhão do contrato que firmou com a senadora para a campanha eleitoral de 2018. Até hoje, Selma não foi citada na ação que tramita na Justiça comum.

Brasa também foi alvo de três processos de cobrança por parte de três dos 40 funcionários que contratou para atuar na campanha de Selma, tudo isso, ao mesmo tempo em que se transformou no pivô do processo que levou a cassação de Selma no Tribunal Regional de Mato Grosso (TRE-MT) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Dois ex-funcionários já conseguiram no Poder Judiciário o direito de receber pelo contrato que fizeram com a Genius, mas segundo Brasa, o valor ainda não foi depositado, porque a empresa está com dificuldades financeiras após a quebra de contrato provocado por Selma.

“Nunca me senti responsável pelo que estava acontecendo na situação política da Selma. Ela que rompeu o contrato comigo faltando menos de um mês para as eleições. Eu tentei conduzir de todas as formas possíveis o não rompimento do contrato, tentando encontrar uma solução. Eu já tinha feito um investimento alto, gastei mais de R$ 30 mil só para montar o estúdio para a campanha, contratei 40 funcionários”, diz Brasa ao .

O empresário revela que só aos funcionários que foram contratados exclusivamente para trabalhar na campanha de Selma, deve R$ 470 mil. Quando a magistrada aposentada decidiu de fato rescindir o contrato, ofereceu apenas R$ 100 mil como indenização, mas Brasa se opôs ao valor, e justificou que o rompimento do contrato custaria R$ 800 mil, que seria o necessário para cobrir todas as despesas realizadas até aquele momento.

“Ela alegou que faltou dinheiro para terminar a campanha. É muito normal faltar dinheiro. Já fiz 16 campanhas majoritárias, todas vitoriosas, a da Selma foi a 17ª. Mas eu percebi que o rompimento do contrato foi por problema pessoal. Ela foi influenciada por uma pessoa que tinha diferenças comigo, e que eu nem sabia. Eu ainda tentei convencê-la de que não tinha sentido montar toda uma nova estrutura faltando um mês da campanha. Tentei conduzir da melhor forma possível”, relata.

Desentendimentos e ameaças

Depois da decisão de Selma em romper de vez com a Genius, Brasa contratou o advogado José Antônio Rosa para atuar na negociação em tentativa de recebimento dos valores. Ao apresentar os documentos para o jurista, o empresário relata que recebeu a seguinte observação. “Diante dos fatos, ela só tem duas opções, ou aceita negociar o valor da quebra de contrato, ou terá o mandato cassado”, disse o advogado a Brasa, diante das evidências de que Selma tentou incluir Brasa no esquema de caixa dois.

Desde abril de 2018, Selma começou a pagar Brasa pelos serviços prestados na montagem da estratégia e produção de materiais que seriam utilizados na campanha. O material foi entregue pelo empresário ao Ministério Público Federal (MPF) em um aparelho HD externo, que foi utilizado como uma das provas no processo de cassação da senadora.

Quando Rosa assumiu como patrono de Brasa, tentou negociar com Selma. O valor de R$ 800 mil da quebra de contrato sofreu alterações, baixou para R$ 470 mil, e por fim, chegou a R$ 360 mil, que poderiam ser divididos em três parcelas. Mas nenhuma das tentativas resultou em acordo.

Após o fracasso nas negociações, Brasa decidiu processar Selma. Segundo o empresário, a juíza aposentada, ao saber que seria processada, ligou para ele e o tratou com tom de ameaça.

Se você me processar nunca mais vai pegar campanha em Mato Grosso”, teria dito Selma a Brasa. O empresário justificou durante a ligação que iria ajuizar a questão para dar satisfação às pessoas que contratou, para que não pensassem que somente a empresa recebeu, e eles não.

Caixa 2

Brasa diz que desde abril de 2018, quando começou a receber mensalmente de Selma, sempre cobrou da juíza um CNPJ para poder emitir nota fiscal. Todas as cobranças foram documentadas por Brasa. Quando chegou agosto, Selma ofereceu a Brasa um contrato, que valeria apenas para o período eleitoral, mas o empresário se negou a assinar. “Desde o começo nunca fui conivente com caixa 2”, alega.

Quanto ao futuro, Brasa avalia que não deverá ficar fora das próximas eleições. Apesar da exposição sofrida com o processo, a Genius continua atuante no mercado de publicidade e propagando e atendendo uma grande carteira de clientes. 

“Não acredito que vou ficar fora das eleições por causa disso. Estamos a meses das eleições, mas uma coisa, tenho certeza, que terei dificuldades para negociar com candidatos que estejam com intenção de fazer coisas mal feitas, ou que queiram atuar com caixa 2”, pontua.

Por fim, Brasa avalia que se Selma tivesse aceitado o acordo proposto antes de ajuizar a ação, certamente não teria seu mandato questionado na Justiça Eleitoral, isso, porque não haveria “fonte para as provas”, que foram apresentadas no processo que o empresário ajuizou na Justiça comum.

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