ELEIÇÕES 2020: Marqueteiros se adaptam ao limite de gastos e apostam na criatividade em 2020


Jacques Gosch /RD News

Os marqueteiros, responsáveis por vender a imagem dos candidatos na campanha eleitoral, ao que parece,já estão adaptados ao limite de gastos imposto pela legislação eleitoral. Os experientes Antero Paes de Barros e Kleber Lima, e ainda Humberto Frederico, que fará a estreia nestas eleições, consideram os valores suficientes e apontam a criatividade como saída para superar eventuais limitações.

Para Cuiabá, o limite de gastos no 1º turno é de 10,2 milhões. Caso haja 2º turno, o valor permitido será R$ 4,1 milhões a mais. Em Várzea Grande, o limite é R$ 2,9 milhões enquanto em Rondonópólis chega a R$ 2,8 milhões. Na suplementar ao Senado, o gasto permitido será o mesmo de 2018, ou seja, R$ 3 milhões.


Antero, que administrou o marketing das campanhas vencedoras nas últimas eleições para prefeito de Cuiabá (2012 e 2016) e ao Governo do Estado (2018), garante que o valor é mais que suficiente. Pondera que muitos candidatos terão, inclusive, dificuldades para arrecadar o valor permitido pela Legislação Eleitoral porque são permitidas apenas doações de pessoas físicas.

“Mas com os valores permitidos, é possível produzir boas campanhas no rádio, na TV e nas mídias sociais. A tendência também é a realização de pequenas reuniões, com até 100 pessoas, que é o permitido em razão da pandemia”, lembrou.

O marqueteiro enfatiza que o Whatsapp será instrumento fundamental para a campanha, onde a informação sobre os candidatos será disseminada, principalmente para os candidatos ao Senado que não poderão realizar comícios e grandes atos de campanha.

“Por isso, aconselho que estejam articulados com os prefeitos. Aquele que tiver apoio dos candidatos nos municípios, sairá em vantagem”, aponta Antero, que já tem campanhas acertadas em Sinop e Lucas do Rio Verde, mas prefere manter os clientes em sigilo.

Já Kleber Lima, que em 2018 comandou a campanha da juíza aposentada Selma Arruda (ex-PSL, hoje Podemos) ao Senado, que estreou na política vencendo as eleições com mais de 600 mil votos, diz que o limite deve ser suficiente justamente por não poder ser ultrapassado por força da legislação. Por isso, defende que a criatividade do marqueteiro é o instrumento para superar eventuais limitações financeiras.

Além disso, Kleber lembra que as campanhas estão mais baratas. E atribui o barateamento à tecnologia a as novas normas.

“Hoje, com as tecnologias à disposição, está mais barato produzir peças de TV do que há 10 anos. Também já trabalhei com candidatos que tinham 15 minutos por dia na TV. Hoje, esse tempo é dividido entre todos os candidatos. Para o Senado então, são apenas 5 minutos”, pontuou Kleber que vai comandar o marketing de Nilson Leitão (PSDB) para senador e do prefeito de Rodonópolis, Zé do Pátio (SD), que busca a reeleição.

Outra questão que merece a atenção, segundo Kleber, é a campanha suja, com mensagens apócrifas no Whatsapp, atacando a honra dos candidatos. Neste caso, o marqueteiro cita o desafio de enfrentar um “inimigo invisível” e acredita que a solução é trabalhar em parceria com o jurídico da campanha.

“Muitas vez, basta prestar atenção. Identificando o alvo e o assunto, identificamos quem está se beneficiando. O caminho é acionar a Justiça Eleitoral. Isso é crime punido com cassação de candidatura”, enfatiza.


Campanha Segmentada

Humberto Frederico, que vai comandar a campanha do pré-candidato a prefeito de Várzea Grande Flávio Frical (PSB), também considera o valor imposto pelo limite de gastos suficiente. E alerta que sem desconsiderar a importância das redes sociais, o rádio e a TV serão determinantes porque tiveram aumento de audiência devido à pandemia da Covid-19.

“Nesta campanha, devido ao isolamento social imposto pela pandemia, será muito importante gerar engajamento. Também será necessária uma campanha segmentada, dialogando com cada bairro, cada região da cidade, sobre seus problemas específicos. É isso que os eleitores esperam dos candidatos a prefeitos”, acredita.

Sobre a questão dos disparos em massa e da chamada “campanha suja”, Humberto Frederico espera que todos os concorrentes atuem com ética, mas afirma que o bom marqueteiro deve estar pronto para responder ataques e se sobressair nas guerras de narrativas que certamente surgirão durante a campanha.


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