Mesmo com receio e cuidados, muitas famílias decidem viajar no fim do ano

 
RD News

Após meses trancados em casa, a queda no número de infecções e mortes pela Covid-19 (a doença causada pelo coronavírus), nas últimas semanas, fez os mato-grossenses se perguntarem se não seria o momento de fazerem, enfim, aquela viagem de fim de ano. Há aqueles que se sentem (em algum nível) seguros e outros que tremem só de pensar. Os que pretendem se arriscar alegam que vão ser cautelosos e tomar todos os cuidados, mas, entre o segundo grupo, o risco não vale a pena.

A reportagem do foi até o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, para buscar histórias de pessoas que vão viajar durante a pandemia. Apesar de já ser semana de Natal, o movimento pareceu fraco. Não havia filas para check-ins e passageiros aguardavam com paciência e expectativa pela viagem.

Apesar de receosa, a professora gaúcha Kelly de Inês Heberle, de 36 anos, vai viajar de férias para o Recife com o marido, a irmã e duas crianças. A expectativa é passar o Natal na capital pernambucana e voltar para casa para o Réveillon. “Esse ano já tínhamos programado [a viagem]. Vamos com receio, nos cuidando, evitando aglomeração”, diz.

Já o casal de professores pernambucanos Aldemir dos Santos e Marcela Maria dos Santos, de 42 e 36 anos, respectivamente, vai passar por uma estadia muito mais longa. Pretendem voltar apenas na época de volta às aulas de 2021. Moradores de Alto Taquari, eles contam ao que fazem essa viagem todos os anos para ficar perto da família. O casal diz agir com cautela em relação ao coronavírus.


Cuiabana de “tchapa e cruz”, a jovem universitária Letícia Boscardin, de 18 anos, aguardava embarque para Rondonópolis. Pretende passar o fim do ano com os parentes do namorado.



“Eu não estou muito preocupada por que eu peguei o vírus bem no começo [da pandemia]. Penso que é muito relativo. Não adianta ficar se escondendo dentro de casa. Ele [coronavírus] está aí”, comenta.


Alguns adiam passeio

Era forte o desejo do servidor público Jonatha Lemos, de 26 anos, viajar com o marido em 2020. Eles planejavam ir para Argentina no meio do ano – a primeira viagem internacional deles. "Contudo, em meados de maio entramos no pico de infecção e adiamos para final de 2020 ou início de 2021.

"Em novembro, decidimos adiantar a viagem por tempo indeterminado uma vez que estamos sem perspectivas de uma vacina ou uma cura", comenta.

"O motivo da desistência foi mais o medo de uma possível infecção do que por impossibilidades burocráticas. Não confio na ideia de que as pessoas estão se cuidando, pois basta uma ida ao mercado e vemos pessoas negligenciando os cuidados básicos para evitar o contágio", acrescenta.

Há cerca de 30 anos em Cuiabá, a costureira Juraci Martins, de 63, desistiu de viajar para Condado, cidade no sertão da Paraíba, ainda na semana das eleições para prefeito. “No jornal, começou a vir o acréscimo do vírus no país todo. Pensei em esperar mais uma semana. Os dias foram passando e eram casos e mais casos. É uma viagem insegura. Optei por não viajar”, diz. 
 
 
No município nordestino, local onde nasceu e viveu até o início da vida adulta, ainda moram a mãe de 85 anos, seis dos dez irmãos, tios, a maioria idosos, além de sobrinhos, primos e parentes do esposo. Todas as vezes que vai para lá, Juraci só costuma viajar de ônibus. Ela conta que a rodoviária a alertou dos riscos da viagem. “Daqui até lá, tem várias cidades e vocês vão ter contato com muitas pessoas”. 

"Caso minha família pegasse o vírus [de mim], eu fico com a culpa. Eles podem dizer que foi você que veio lá de Mato Grosso e trouxe [o coronavírus] para cá por que aqui ninguém tinha contaminado. Então eu pensei nisso aí também. Não levar essa culpa e não ficar com ela dentro de mim”, acrescenta. “Acho que as pessoas tem que ter consciência de não viajar nesse período, manter a calma, esperar e passar essa onda”.

Números

Em um cenário de pandemia, a concessionária Centro-Oeste Airports estima que 179.318 pessoas passem pelo Aeroporto Marechal Rondon em dezembro.

Se confirmado, o número representará uma queda de 38% em relação ao número de passageiros que passaram pelo terminal em dezembro de 2019. No ano passado, 246.946 embarcaram e desembarcaram no aeroporto, segundo dados da Infraero.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES), desta quarta (23), Mato Grosso já registrou 4,4 mil óbitos pela Covid-19 em 2020.

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